Sou da era dos discos de vinl. Muita gente nova nunca nem viu um desses, mas eles existiram e eram um transtorno. Os cuidados tinham que ser enormes. Um movimento em falso com a agulha e adeus, aquela parte da faixa estava arranhada e não funcionaria direito mais. Outro problema era emprestar os discos para amigos. O maior pavor era saber para quem emprestar e ter certeza de que ele voltaria sem arranhões. Nem quero imaginar como os DJ’s cuidavam de seus discos naquela época.
Depois veio o CD. Adorei a mudança. Os discos eram menores e meio que a prova de arranhões. Como estamos falando de um feixe de luz, não há contato físico entre o disco e a agulha de leitura, o que significa que a segurança contra arranhões é enormemente maior. Sem falar na possibilidade de ouvir os discos no carro ou em equipamentos portáteis. Mas na época os tocadores de CD eram tão caros que comecei comprando os discos antes mesmo de ter o tocador. Comecei a substituir todos os meus títulos de vinil por CDs a medida que eles eram lançados. Depois comprei um som com CD e hoje em dia qualquer computador já vem com um leitor de CD. É algo muito popular e barato se comparado àquela época.
Estamos agora vivendo uma nova mudança, desta vez mudança de paradigma. Hoje escuto as músicas no meu computador e no meu iPod. E evolui ainda mais. Comprei esses dias aquelas caixas de som para o iPod, coloquei na estante e pronto. É uma coisa muito pequena que produz um som enorme! E segundo me informou o vendedor da loja, existem alguns que produzem um som maior ainda. Viva a tecnologia! Ou seja, nada mais de ficar trocando CDs. Meu iPod está abarrotado de músicas e podcasts e posso colocar ele lá em modo aleatório e ouvir minhas músicas durante horas sem me preocupar com a troca de CDs. É fascinante.

Mas acima de tudo é uma mudança de paradigma. Na época do CD e do vinil éramos “obrigados” a comprar e ouvir um disco inteiro. Obrigados a comprar simplesmente porque era assim que eram e são vendidos. Obrigado a ouvir, porque ao colocar ele para tocar, não era prático ficar trocando de disco toda hora. Hoja na iTunes Music Store é possível comprar apenas a música que nos interessa. Ou seja, não somos mais obrigados a comprar um CD inteiro.
Portanto, precisamos nos habituar a um novo paradigma. Mesmo nós brasileiros que não temos como comprar músicas na loja da Apple, precisamos nos habituar a esse novo paradigma. Não preciso ouvir aquele CD antigo inteiro e nem sequer copiar ele inteiro para o meu iPod. Tenho que mudar isso, essa forma de pensar como no passado. Temos que mudar isso! Hoje, nas minhas playlist o que coloco é o nome do disco e dentro as respectivas músicas, todas elas. E por que tem que ser assim? Na verdade não tem! Mas é assim que ouço música desde que meus pais colocavam pra tocar os discos do Chico, da Gal, etc. Foi assim que cresci aprendendo a ouvir música. Lado A, depois lado B e depois outro disco. Mas agora preciso mudar isso. Precisamos mudar isso!

Uma playlist é uma seleção. Ou seja podemos colocar o que quisermos lá dentro. Não precisamos copiar o CD inteiro para lá! Ontem dei o primeiro passo, criei uma seleção chamada “Casa” e coloquei lá minhas músicas que gosto de ouvir em casa quando coloco o iPod ligado nas caixas de som. Aos poucos chego lá

E lá embaixo, na última prateleira das estante, ficaram empilhados e sem uso meus CDs, exatamente como ficaram meus discos de vinil anos atrás.
Viva a mudança de paradigmas!
postado originalmente em http://www.vladimircampos.com